História de Rudge Ramos
Importante documento histórico foi encontrado na Igreja São João Batista de Rudge Ramos, durante os trabalhos de sua demolição.
O achado é de uma valia inestimável, já que revela a data de fundação do bairro e os nomes de seus fundadores italianos, chegados ao Brasil, em fins do século passado.
Compreende dois pedaços de papel escritos à mão, com tinta, em língua italiana, guardados em uma pequena garrafa de louça, que foi colocada cuidadosamente sob o altar mor, entre dois grandes tijolos. Os dizeres são os seguintes:
“1891 - Fratelli Piagentini, fondatore del nome e dessa chiesa di S. João, italiani, figli de Damiano e Deolinda Santini, nati a Chiossa, del Comune di Castiglioni Garfagnana, Província de Mazza Carrara. Nati: Nomi Tomaso (1862), Romualdo (1863) e Adolfo (1864). Pregatti per loro”. (1891 - Irmãos Piagentini, fundadores do nome e da Igreja São João, italianos, filhos de Damiano e Deolinda Santini, nascidos em Chiossa, da Comuna de Castiglioni Garfagnana, Província de Mazza Garrara, nascidos - Tomaso (1862), Romualdo (1863) e Adolfo (1864). Rogai por eles).
E ainda: “Ordem diplomática dos irmãos Piagentini: Tomaso, nascido no ano de 1862; Romualdo, nascido em 1863; Adolfo, nascido em 1864; italianos, nascidos em Chiozza, filhos de Damiano e Deolinda Santini, da Comuna de Castiglioni, Província de Mazza Carrara os quais por um dom de Deus (sic) e suas vontades quiseram fundar este bairro com o nome de São João da Boa Vista 1891, Piagentini Tomaso e irmãos. Rogai por eles”.
Os irmãos Piagentini saíram da Itália em 1885 a bordo do navio Jawa, aportando no Rio de Janeiro três meses depois. A demora foi motivada por uma avaria na hélice, em alto mar.
Estabeleceram-se, inicialmente, em São Paulo, de onde mudaram para São Caetano, instalando ali uma padaria que se traduziu em próspero negócio. Com os proventos financeiros que dele advieram, puderam adquirir do Governo três Colônias, no lugar que então se conhecia como Pasto dos Meninos, e fundaram a Vila denominando-a, como vimos pelos documentos transcritos, de São João da Bela Vista. Arraigados por forte espírito religiosa levantaram ali a Igreja de São João Batista, dando início a uma perfeita obra de pioneirismo e colonização. Os sinos de bronze da igreja foram também modelados pelo mais velho dos Piagentini, Tomaso, e neles podem se encontrar as seguintes inscrições: “São João da Bela Vista” e “União faz a força”. Esta última revela aquilo que foi sempre uma constante na vida dos três irmãos: UNIÃO.
Coube-lhes o privilégio de terem construído a primeira casa de tijolo na região que forma hoje o progressista bairro Rudge Ramos. A história do bairro, agora esclarecida, legará seu nome a sua obra à posteridade.
Em 1962, Rudge Ramos estava ganhando nova Igreja e a população local assistia à demolição da antiga capela do bairro, do outro lado do largo São João Batista.
A derrubada da velha capelinha de Rudge Ramos estava gerando enorme expectativa naquele início de 1962. Procurava-se uma garrafa de louça com vários documentos importantes que um dos irmãos Piagentini escondeu durante a construção da capela em fins do século passado.
O velho mapa, comparado com mapas atuais, mostra um Rudge Ramos bem diferente. Aparece, no velho mapa, ao lado da Via Anchieta, entre Rudge Ramos, Paulicéia e Taboão, uma grande represa, hoje já extinta mas que, até algum tempo, era uma das principais atrações da ex-chácara de Lauro Gomes de Almeida.
Dr. Arthur Rudge Ramos, pessoa muito rica e respeitada, resolveu arrumar a Estrada do Mar, que passava no bairro (ligando São Paulo a Santos). Para isso conseguiu que o Governo liberasse vários presos para fazer o serviço.
Pronto o serviço, o Dr. Rudge Ramos colocou dois pedágios na estrada: um perto da antiga capelinha e o outro perto do cemitério de Vila Euclides. Quem não quisesse pagar o pedágio precisava ir pela Estrada do Vergueiro, que era quase intransitável.
Com relação ao nome Meninos, o primitivo nome de Rudge Ramos, não há uma conclusão definitiva sobre a sua origem. Há duas versões conhecidas. A primeira apresentada: suspeita-se que o território do atual Bairro Rudge Ramos, na região da Vila Vivaldi, viviam três meninos órfãos, e que talvez fossem antepassados dos Camargos, proprietários das áreas, e que eram visitados freqüentemente pela população de São Bernardo, para dar assistência e levar presentes. Outra versão: o secular pouso dos tropeiros de Rudge Ramos teria sido uma espécie de orfanato onde eram internados órfãos de alguns Bandeirantes.
VILA VIVALDI
A Vila Vivaldi tem origem no sítio dos Camargos, constituída de uma área emancipada, não fazendo parte da Fazenda dos Frades Beneditinos. Toda essa área pertencia ao Sr. Agenor Camargo Filho, que por volta do ano de 1930, fez um loteamento em chácaras no Bairro dos Meninos à margem da estrada do Vergueiro, com o nome de Vila Camargo, e logo colocou à venda.
Determinadas quadras dessa vila foram compradas por chacareiros, outras após pertencerem a particulares foram reloteadas, dando origem a novas denominações (Vila Antonieta, propriedade do Sr Clóvis Joly de Lima, aprovado através do processo nº 3347/57 e Jardim Orlandina que pertencia à Companhia City Paulista de Melhoramentos, a responsável pelo loteamento, que através do processo nº 7458/62, foi aprovado pelo decreto nº 725, em 14/12/1964).
Os remanescentes dessa grande Vila Camargo (quase com 2000 m2), foram vendidos para a imobiliária Itaguassú S/C, de propriedade do Sr. Alberto Goethe Assumpção e outros, reloteada e aprovada em 21/01/1950, através do processo nº 124/50, com o nome de Vila Vivaldi.
A Vila Vivaldi constituía-se numa das primeiras ocupações da margem do Rio dos Meninos, com loteamentos urbanos em SBC surgindo daí o aparecimento dos primeiros problemas relacionados com enchentes.
Como medida de prevenção promulgou-se uma lei obrigando que as construções fossem edificadas um metro acima do nível normal em virtude de ser a região sujeita a inundações. Mais tarde, a Prefeitura executou galerias, elevou o nível das ruas e consequentemente os lotes dos interessados.
VILA MUSSOLINI
Poucos moradores conhecem esta região de São Bernardo, entre a Vila Anchieta e a Avenida Senador Vergueiro, por outro nome que não Vila Mussolini. Uma região de Rudge Ramos localizada em área elevada e sem maiores problemas urbanos.
Na Prefeitura não existe o processo de loteamento da Vila Mussolini, já que o Bairro foi loteado antes que existisse qualquer legislação regulamentando a matéria. O que existe nos arquivos municipais é uma planta da Vila, datada de 1924. A planta mostra que a Vila foi loteada por João Daprat. Ainda assim não se sabe se toda a área da Vila Mussolini pertencia ao loteador.
Em 1947, a Vila Mussolini estava ganhando dois loteamentos vizinhos: a Vila Caminho do Mar, loteada por Natalia Bugaertti, e Vila Mariza, loteada por Abrão Calux.
VILA NORMANDIA
Os irmãos Haddad, de São Paulo, lotearam a chácara de Maurice Jacquey, no coração de Rudge Ramos. Nome escolhido: Vila Normandia. Hoje as ruas do Bairro, várias delas, tem nomes lembrando a família Jacquey.
VILA JAÚ
A Vila mais antiga de Rudge Ramos chama-se Jaú. Fica junto à Rua da Represa, que é a mais aberta, por iniciativa da família Angeli, nos anos 50.
Lei nº 17 de 15/02/1947 - denomina Bairro Rudge Ramos
Fontes: Folha de São Bernardo - 11/12/1962
São Bernardo, Seus Bairros, Sua Gente - Cadernos Históricos I - Ademir Médici - 1981
Jornal Domingo em São Bernardo - 01/02/1987
Seção de Pesquisa e Banco de Dados – SA.212 - PMSBC
Bens Tombados
Edifício Alfa do Instituto Metodista de Ensino Superior (atualmente UMESP)
Características: Tombado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de São Bernardo do Campo (COMPAHC).
Endereço: Rua do Sacramento, 230
Nº. Processo: Nº 2663/87
Tombamento: Lei nº 2.927, de 09/09/87
Hoje consta como data de fundação de Rudge Ramos a construção de Capela de São João Batista.. não concordo pois Rudge Ramos ou Bairro dos Meninos ja existia muito antes Estamos comemorando sim a Capela de São João Batista e não Rudge Ramos...
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