Por: Claudia Mayara (mayara@abcdmaior.com.br)
Após quatro meses de investigações, os policiais da Dise (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes) de São Bernardo com apoio do Garra, Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e Demacro (Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo) conseguiram encontrar a rota que o tráfico usava para abastecer o ABCD, assim como o depósito que abastecia a Região. A droga era armazenada na rua Lindoro Machado Santana, Interlagos, zona Sul da Capital, e distribuída ao ABCD pela zona Leste. No local foram encontradas, nesta quarta-feira (16/09), mais de 1,5 tonelada de maconha.
“Foi a maior apreensão de drogas em São Bernardo. A droga veio do Paraguai e tem até mesmo selo que atesta a qualidade. O emblema deve ser de algum cartel de lá”, destacou o delegado seccional de São Bernardo, Aldo Galiano Junior. No local foram presos em flagrante Luiz Antônio de Oliveira, conhecido como Bede, 49 anos, Rodrigo Silva Reis, conhecido como Alemão, 36 anos, Brenda da Silva Carneiro, 23 anos, e um adolescente de 17 anos. Apenas Luiz Antônio tinha antecedentes criminais por roubo.
“Esse pessoal não vendia a varejo, apenas a atacado. Ou seja, não faziam trabalho de formiguinha. Vendiam apenas tijolos”, ressaltou o delegado titular da Dise São Bernardo, Carlos Eduardo Silveira Martins. Após a prisão e apreensão, a polícia tenta descobrir quem são os chefes da quadrilha e para qual organização criminosa o grupo trabalhava. “Sabemos que a quadrilha tem relação com facções criminosas, mas ainda não sabemos com qual”, destacou o delegado seccional.
Além de tentar descobrir os chefes da quadrilha, a polícia tentará traçar a rota da droga desde a saída do Paraguai até a chegada ao ABCD. “Sabemos que a droga entrava na Região pela zona Leste, a partir desse depósito na zona Sul, mas agora queremos descobrir qual era o caminho usado do Paraguai até aqui”, explicou Aldo.
CENTRAL DE COMUNICAÇÃO
Além da droga, a polícia encontrou uma central clandestina da Net, com distribuição de sinais de TV a cabo, informática e telefonia. O serviço era distribuído, a partir do pagamento de mensalidade, para mais de 50 bairros da região de Santo Amaro. Quem queria apenas os canais pagos, pagava uma mensalidade de R$ 30. No local foram apreendidos mais de 300 aparelhos da Net, 50 roteadores e quatro veículos, sendo duas vans usadas para transporte de drogas e dois veículos com escadas que eram usados para a manutenção da rede clandestina de sinal da Net.
“A quadrilha é tão sofisticada que, quando caía o sinal, o cliente ligava para eles restabelecerem o funcionamento. Porque eles tinham uma manutenção própria. Era praticamente uma empresa paralela com sinal roubado”, destacou Aldo. A polícia esclareceu que a Net está colaborando com as investigações no sentido de tentar identificar como a quadrilha conseguiu ter acesso aos aparelhos da empresa. “Não queremos ser prematuros, mas provavelmente funcionários possam estar envolvidos”, revelou o delegado seccional.
A partir da descoberta, a polícia também investiga se a rede de comunicação telefônica e de internet era usada para comunicação da quadrilha com ‘bocas de fumo’ e com os chefes, dentro e fora dos presídios. “Os roteadores fornecem uma ligação segura, via wi-fi, para a quadrilha se comunicar. É ainda mais seguro do que o próprio sistema de telefonia”, argumentou Aldo. A Net também auxilia a polícia nessa parte da investigação. “Acreditamos que esse foi apenas o início das prisões. Temos muito material de investigação para trabalhar agora”, finalizou o delegado seccional.
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